quarta-feira, 28/10/2026

A importância de valorizar as diferenças sem associá-las à inferioridade

O debate sobre diversidade e acolhimento é mais relevante do que nunca, especialmente em um mundo que busca construir sociedades mais justas e democráticas. No evento Neuro 2026, o psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe…

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O debate sobre diversidade e acolhimento é mais relevante do que nunca, especialmente em um mundo que busca construir sociedades mais justas e democráticas. No evento Neuro 2026, o psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe trouxe à tona reflexões profundas sobre os impactos do preconceito na saúde mental, especialmente para a comunidade LGBTQIA+ e indivíduos transgêneros. Em sua palestra, Rahe destacou que a vivência constante de estresse, oriunda da discriminação, pode desencadear sérios problemas neurológicos.

Rahe elencou várias formas de sofrimento que surgem quando a diferença é confrontada com o preconceito: estigmas que rotulam indivíduos, discriminação que resulta em tratamento desigual, e o bullying que perpetua a vitimização. Além disso, a rejeição provoca a sensação de falta de pertencimento, enquanto barreiras sociais e institucionais limitam o acesso e a participação desses indivíduos na sociedade.

O psiquiatra sublinhou que, mesmo episódios breves de discriminação podem ter um efeito duradouro, criando uma expectativa constante de rejeição. Ele defendeu que ouvir as experiências vividas dos pacientes é fundamental para a produção de conhecimento científico, reiterando que escutar não significa descartar a metodologia científica.

No que diz respeito às consequências do estresse, Rahe fez uma distinção entre estressores distais, como a discriminação e a violência, e processos proximais, que incluem a hipervigilância e o estigma internalizado. Esses fatores podem culminar em desfechos preocupantes, como ansiedade, depressão e um isolamento que impede a busca por ajuda.

Outro ponto importante abordado foi o conceito de “masking”, ou camuflagem, que implica um custo invisível. Rahe alertou que os esforços para se adequar às normas sociais muitas vezes não são visíveis, mas podem levar a uma exaustão significativa e à ausência de suporte emocional adequado.

Rahe também trouxe à tona dados alarmantes sobre a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando que, enquanto sua ocorrência geral é de 1% a 2%, entre pessoas com disforia de gênero, essa taxa salta para 11%. Ele enfatizou que tanto pessoas neurodivergentes quanto a população LGBTQIA+ enfrentam barreiras que agravam sua situação, como a infantilização e a invalidação identitária.

Por fim, Rahe concluiu sua apresentação com um apelo à ação, ressaltando que existe uma “via de risco” cheia de discriminação e estigmas, mas também uma “via de proteção” que envolve escuta, identidade positiva e acessibilidade. A verdadeira superação, segundo ele, não está em se tornar menos diferente, mas em garantir que a diferença não seja vista como uma desvantagem.