quarta-feira, 04/11/2026

A resiliência: um caminho para redescobrir o sentido da vida

Hoje marca um marco importante: o blog “Longevidade: modo de usar” celebra uma década de existência. Lançado em 3 de novembro de 2016, o texto inaugural abordava a reinvenção da infância e adolescência, colocando…

Compartilhe:

Hoje marca um marco importante: o blog “Longevidade: modo de usar” celebra uma década de existência. Lançado em 3 de novembro de 2016, o texto inaugural abordava a reinvenção da infância e adolescência, colocando em foco uma questão que ainda persiste: por que envelhecer é um tabu? Com 58 anos à época, eu refletia sobre a estranheza que muitos demonstravam ao ouvir minha idade, levando à pergunta central: por que não posso simplesmente ser quem sou? Agora, após quatro livros e uma jornada de autodescoberta, abraço minha identidade de idosa e ativista com entusiasmo renovado.

Recentemente, em uma palestra no GeriatRio 2026, a psicóloga Cristiane Novaes destacou um aspecto crucial da velhice: a resiliência. Ela abordou como as mudanças climáticas impactam os mais velhos, mas também enfatizou que a resiliência não é uma forma de otimismo superficial. É, segundo ela, uma resposta psicobiológica que ajuda a mitigar os efeitos do estresse crônico. Ao enumerar os desafios enfrentados na velhice, como o declínio físico e o isolamento, Novaes trouxe à tona a importância de estratégias de adaptação, que incluem a busca por aceitação e a reconstrução de significados na vida.

Ela sugere que o envelhecimento é uma constante negociação entre perdas e o esforço para se adaptar. Algumas ferramentas surgem como essenciais nesse processo: o domínio da tecnologia, que conecta e combate o isolamento; uma atitude positiva, capaz de reinterpretar limitações; e a espiritualidade, que oferece um sentido mais profundo em meio à transitoriedade da vida.

Com isso, reforço o que escrevi há dez anos: a velhice deve ser reinventada por aqueles que a vivenciam, especialmente por uma geração que se recusa a ser marginalizada. Acredito que é nossa responsabilidade desafiar a percepção negativa que ainda envolve o envelhecimento. Ao longo dessa década, tem sido uma honra honrar esse compromisso, e convido todos a continuar essa discussão. A jornada está apenas começando, e juntos, podemos transformar a narrativa sobre a maturidade. Agradeço sinceramente a todos que me acompanharam nessa trajetória.